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sábado, 22 de janeiro de 2011

Missing cap 11

 Mark


Quando o pessoal voltou, xinguei todos os palavrões que conhecia. Por  que eles sempre estragavam a melhor parte?! Percebi que minha irmã mais nova sussurrou algo no ouvido de Jullie rindo, levou um belo tapa como resposta.
- Então, gente, sem ser esse sábado, o outro, temos um aniversário pra comemorar... – ouvir Gui falar sem prestar muita atenção.
- Bem, meus pais estarão fora da cidade, podemos fazer algo lá em casa – agora era a voz de Greg que eu ouvia enquanto dedilhava as cordas no violão aleatoriamente  - O que você acha, Mark?
- Mark!?! – Annabele quase gritou dentro do meu ouvido e balancou meu braço – a gente tá falando do SEU aniversário.
- Ahh sim, foi mal – eu realmente não tinha me ligado que era disso que eles falavam. Forcei meu cérebro a prestar atenção, ou Anna me deixaria surdo.
- Então, festinha na casa do Greg?! – Grazy já estava animada só pela possibilidade de uma festa.
- Vocês podem, por favor, ao menos tentar fazer algo simples?! – implorei olhando para minhas duas irmãs.
- NÃO!! – se tivessem ensaiado, suas vozes não teriam saído tão perfeitamente juntas.
- É o seu aniversário de 18 anos, maninho – o jeito que Annabele falava fazia como se parecessem tão óbvias suas intenções...
- Cara, mas eu sou um homem! – já via ela tirar um caderno da mochila de Guilherme.
- Você tem certeza?!?! – ironizou Greg.
- Vai pra...
- Ei, tem criança no recinto! – Grazy disse rindo e apontando para Jullie que parecia estar em outro planeta.
- Essa ai tá pior que o Mark – Annabele riu abrindo o caderno – mas, enfim...
Quando a minha tortura estava a ponto de começar, o sinal de término do intervalo tocou.
- Nunca amei tanto esse sinal – ri já levantando, podia ouvir Annabele reclamar enquanto devolvia o caderno para Gui que levantava e vinha com Greg na minha direção, deixando as meninas para trás.
- Você sabe que elas não vão desistir tão fácil assim, né? – meu melhor amigo falou ao  chegar do meu lado.
- Sim – dei um sorriso torto – mas, pelo menos, me salva por mais  4 horas...
- Espero é que elas gastem todas as ideias loucas no teu niver, cunhadinho, e deixem o meu em paz – Gui falou rindo e subindo as escadas. As meninas continuavam no banco.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Missing cap 10


Mark acompanhou eu e Anna até a sala e depois seguiu para a sua, minha amiga aproveitou que não havia quase ninguém na sala  para começar um assunto que eu achei muito desconfortável.
- Jullie, o que você acha  do Mark? – ela perguntou assim que nos sentamos, pegando-me de surpresa.
- Ah... ele é legal, inteligente... – comecei a responder enquanto ela sorria – por quê?
- Nada não, é só que eu andei pensando... – cada palavra que ela pronunciava me dava mais medo e eu acabei deixando um lápis cair, abaixei para pegá-lo – vocês formariam um bom casal...
- É o que, Annabele? – exclamei quase caindo ao tentar me sentar – você tá louca?!
- Qual foi, Jul?! Você acha que eu sou idiota – ela disse levantando uma sombrancelha e me olhando incrédula – eu e a Grazy percebemos as trocas de  olhares entre vocês...
- Não sei que troca de olhar, não tem troca de olhar nenhuma, vocês estão loucas... – eu poderia ter  sido mais convincente se minha voz não tremesse tanto devido ao nervosismo.
- Aham, tô louca sim, sei... – ela riu e debochou, virando para frente e começando a copiar a matéria. Isso me daria algum tempo para me acalmar.
Quando o sinal do intervalo tocou, eu realmente esperava que ela tivesse esquecido o assunto, mas minhas esperanças se foram logo que fechamos os cadernos.
- E então, vai me falar a verdade ou vai continuar tentando se fazer de desentendida... – ela disse virando para trás, enquanto os outros saiam da sala – por sinal, você é PÉSSIMA nisso...
- Vai se... – não terminei a frase, pois vi que Mark e um menino alto e magro de cabelos  longos e negros, era o Greg, esperavam-nos na porta. Ao vê-los deixei escapar um pensamento alto demais... – nunca gostei tanto de ver esses meninos...
- Como?! – Annabele não tinha visto a  dupla parada até eu apontar – eles não podiam ter esperado mais 5 minutos para aparecer?!?!
- Vamos logo – levantei rindo da cara de decepção dela.
- Oi Jullie – Greg me cumprimentou quando nós nos aproximamos, eu ainda ria bastante da cara da Annabele.
- Oi Greg, tudo bom? – dei um beijo no rosto dele e passei por ele e Mark, que carregava um violão.
- Oi Anna – Greg a abraçou e deu-lhe um beijo na testa.
Quando chegamos no pátio, Guilherme e Grazielle já nos esperavam no banco de sempre, por mais normal que aquilo fosse, eu sentia uma sensação estranha. Greg e minha melhor amiga peste sentaram ao lado do casal deixando apenas um espaço que faria com que eu e Mark ficassemos extremamente próximos.
- Então, cunhadinho, o que vai tocar pra gente?! – Guilherme falou assim que nos sentamos.
- Ele vai tocar Wherever you will go da The Calling – Anna respondeu olhando para mim e rindo. Eu simplesmente amava aquela música. Grazielle também ria, já havia entendido o plano da irmã.
Assim que Mark começou a tocar e cantar foi como se o mundo inteiro deixasse de existir, ele cantava olhando diretamente nos meus olhos e eu, de acordo com Annabele, só faltava babar.
- Vamos na cantina, Greg?! – a voz de Anna quebrou o encanto logo depois da música acabar.
- Bora, pow – o melhor amigo de Mark  respondeu já pulando do banco e abraçando-a. Não sei explicar o porque, mas sentia uma energia quando esses dois estavam juntos.
- Toca a Save me dos Hansons, Mark? – Grazy pediu, porém, antes que ele tocasse a primeira nota da música, virou para Guilherme piscando – Vamos na cantina também, amor?
- Tá, vamos – levantou, ficando de mãos dadas com Grazy.
- Mas... – Mark começou a protestar, mas então virou para mim sorrindo e começou a tocar.
 * Anna’s part on...
Enquanto meu irmão tocava para Jullie, eu observavade longe acompanhada de Grazy, Gui e Greg.
- Eles ficam tão fofos juntos... – minha voz saiu com um tom triste sem eu perceber.
- Você ainda sente muita falta dele, não é? – Greg perguntou baixinho enquanto passava seu braço ao redor de mim e me puxava pra junto dele. Não respondi, apenas o abracei e continuei a observar o casal.
- Olha, eu não queria ter melhores amigos como vocês dois... – Gui disse para mim e Greg, rindo e parando ao meu lado.
- Bobão – respondi rindo e soltando Greg, que manteve um de seus braços ao redor da minha cintura – você ia amar ter nós dois como melhores amigos.
- A gente ta fazendo o que é melhor pros dois, Guilherme – Grazy respondeu.
- Isso aí, mana! – ri para Grazy – acho melhor a gente voltar, a música já deve estar quase no fim... *
Quando terminou de tocar, Mark aproximou-se ainda mais de mim, parando seu rosto a poucos centímetros do meu, seu hálito fresco de menta me rodeou quando ele falou.
- O que achou? – ele sorria ao falar.
- Você toca muito bem – me forçava a manter minha mente clara o suficiente para responder – foi lindo...
- Não acha que mereço uma recompensa?! – ele perguntou rindo, me fazendo arquear uma sombrancelha.
- Merece... – disse rindo e dando um beijo na bochecha dele, fazendo-o rir.
- Que lindo!! – as vozes de Anna e Grazy fizeram-nos voltar a realidade.
Os meninos sentaram e quanto Anna falou de novo já estava sentada ao meu lado.
- Depois eu sou louca, né?! – sussurrou no meu ouvido rindo.
- Babaca – respondi dando um tapa no ombro dela.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Missing cap 9

 Annabele

- Crianças, venham tomar café – ouvi minha mãe gritar do pé da escada enquanto terminava de me arrumar no banheiro. Demorei mais alguns minutos até terminar a maquiagem e descer, meus irmãos já estavam sentados à mesa junto com meus pais.
- Bom dia – disse olhando somente para Mark e Grazielle que responderam em uma só voz.
- Até quando você vai se recusar a falar comigo e com sua mãe, Annabele? – meu pai perguntou com uma voz séria.
- Até que... – comecei a responder  me sentando ao lado de Mark que tampou minha boca com uma das mãos.
- Não vale a pena – sussurou no meu ouvido.
Tomamos café em silêncio como faziamos todos os dias, meus pais foram trabalhar e nós trés terminamos de arrumar as coisas  pra escola.
- Mark, leva o violão pra escola? – pedi com um sorriso sapeca no rosto
- Tá bem, mas o meu tá sem uma corda. Posso pegar o seu? – ele respondeu tentado decifrar minha expressão.
- Claro, pega lá no quarto – respondi ainda com o mesmo sorriso sapeca.
- No que você está pensando, Annabele? – minha irmã perguntou baixinho no meu ouvindo
- Nada demais – respondi piscando pra ela.
- Se você diz – ela deu de ombros.
Entramos todos no carro de Grazielle e seguimos para a escola. Era muito bom ter uma irmã de 18 anos  e que ainda estudava na mesmo lugar que eu. Descemos do carro e Jullie estava no portão conversando com alguns meninos da minha sala e sorriu ao nos ver chegar, seus olhos foram direto para Mark, o que já havia se tornado habitual nesses 15 dias. Os olhos de meu irmão por sua vez, percorreram todo o corpo de Jullie e pararam olhando fundo nos olhos da mesma.
- Oi meninos, oi amiga – cumprimentei dando um beijo no rosto de Jullie que fez o mesmo.
- Oi – Mark disse sorrindo quando chegou ao meu lado com o violão. Jullie apenas sorriu timidamente para ele.
- Oi, gente – Guilherme, o namorado de Grazielle, falou vindo de dentro do colégio.
- Oi, cunhadinho – fiquei na ponta do pé e dei-lhe um beijo no rosto, ele, por sua vez, me abraçou e deu-me um beijo na testa.
- Oi, amor – Grazy disse sorrindo e o abraçando por trás, mordendo de leve a pontinha de sua orelha.
- Oi, minha linda – ele respondeu sorrindo e a virando de frente para ele, apertando-a fortemente contra o seu corpo e beijando-lhe o pescoço.
Entramos os cinco juntos na escola, eu, Jullie e Mark na frente, Grazy e Gui um pouquinho mais para trás. Guilherme era um menino lindo, tinha olhos azuis e cabelos loiros cortados e espetados, seu corpo era queimados pelo sol e muito bem definido, a barba hoje estava por fazer. Ele já era um homem, faria 19 anos em dois meses, mas às vezes eu olhava pra ele e via um menino doce, outras vezes, via um homem maduro, forte e pronto pra defender minha irmã de tudo. Eu sentia uma certa inveja dela... Meu relacionamento com Gui era ótimo, muito diferente do meu relacionamento com a Paulo, ex do Mark, mas parecia que não teria mais que me preocupar com as namoradas do meu irmãozinho.


ps: Eu @ninalok22 postando atrasado de novo pq sou uma pessoa muito pontual kkk'

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Missing cap 8

 Mark

Já tinham se passado quase uma semana desde que o dia no patio e eu não conseguia tirar aquela menininha da minha cabeça. Era estranho porque já faziam quatro meses que ela estudava com a minha irmã e dois meses que frequentava minha casa quase todas as semanas. Eu a via passar todos os dias pela escola junto com a Anna e por que parecia que só agora eu realmente tinha enxergado-a? Era tão linda. Talvez a causa fosse meu namoro com a Paula que me mantinha preso e afastado da minha irmã na escola, mas agora que tinhamos terminado...
Resolvi levantar da cama e pegar um copo de leite, quem sabe isso me fizesse pegar no sono. Assim que saí do quarto ouvi risinhos vindo da varanda, minhas irmãs conversando?! Isso não era uma cena muito comum esses últimos meses. Fiquei feliz por ver. Esperei elas sairem da varanda e iram para seus respectivos  quartos, a conversa devia ser muito interessante, pois nenhuma das duas notou minha presença no corredor, segui pra cozinha, peguei o leite e voltei pro meu quarto.
- Mark... – ouvi Anna me chamar baixinho – ainda está acordado?
- Tô sim, meu anjo – disse sentando na cama e sorrindo para ela que estava parada na porta – pode entrar.
- Não tô conseguindo dormir – ela disse sentando na cama de frente pra mim.
- Quer conversar? – olhei para ela rindo e segurei suas mãos nas minhas, ela apenas balançou a cabeça em sinal de afirmação – Sobre ele?
Esperava uma afirmação, já que parecia que esse era o único assunto dentro da mente dela, porém recebi um gesto negativo dela, o que me causou uma surpresa muito grande que transpareceu na minha expressão, fazendo ela fechar a cara.
- Por que vocês acham que eu só penso nele? – ela disse brava.
- Porque é isso que acontece, talvez? – perguntei rindo para ela.
- Vai pra merda, Mark – ela respondeu contendo o riso para parecer brava.
- Sobre o que quer falar, minha estressadinha – disse puxando ela e abraçando-a
- Sobre você, sobre você e a Jullie pra ser mais exata. – ela disse enquanto se livrava do meu abraço e olhava nos meus olhos
- O que tem  eu e a Jullie? –perguntei desviando o rosto para não ter que olhar em seus olhos.
- Para de bancar o desentendido, Mark! – ela disse virando meu rosto para si novamente – Você sente algo pela Jullie?
Abri a boca para responder, mas antes que pudesse inventar qualquer desculpa, ela me  interrompeu.
- Não mente pra mim.
- Tudo bem, tudo bem – tentei achar as melhores palavras pra definir – eu não sei o que sinto por ela, mas desde aquele dia no patio, sua amiga não saiu mais da minha cabeça. Mas como você descobriu?
- Fala sério, né? Até a Grazielle percebeu os olhares de vocês dois – ela disse soltando uma gargalhada.
- Nossa, tá muito na cara mesmo, né? Pra Grazy reparar – dei um sorriso torto pra ela.
Ela bocejou e deitou no meu colo, resolvi não forçá-la a ir pro seu quarto e deixei-lhe adormecer enquanto acariciava seus cachos. Esperei seu sono se tornar profundo, levantei e a peguei no colo, levando-a para seu quarto. Coloquei-a na cama e puxei o edredom sobre seu corpo branco.
- Eu te amo muito, minha maninha chata – sussurrei dando-lhe um beijo na testa.
Saí do quarto sem fazer barulho e fui para o meu tentar dormir, demorou apenas algum minutos até eu finalmente pegar no sono.


ps: post um pouco atrasado devido a um pequeno problema [/burrice] minha =D by: Marina =D

sábado, 25 de dezembro de 2010

Missing cap 7

Graziella


Já era tarde da noite quando ouvi um chorinho baixo vindo da varanda do segundo andar, já conhecia aquele choro. Levantei da minha cama e fui andando até lá. Encontrei a cena que esperava. Annabele estava sentada no chão próxima sacada, com as pernas balançando pelo lado de fora, olhava pra Lua enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto branco. Ela estava tão absorva em seus pensamentos que nem me viu chegar. Sentei ao seu lado devagar...
- Você tá bem, Anna?
- Você quer me matar de susto ou o que? – ela disse dando um pulo – e por um acaso eu pareço bem?!? – continuou rispidamente.
Olhei pra ela e antes que pudesse pensar em qualquer resposta, sua expressão mudou de rispida para frágil novamente.
- Me desculpe – ela sussurrou com os olhos cheios d’água.
- Não tem problema... vem cá, vem, maninha – eu disse baixinho enquanto a abraçava – tudo vai ficar bem no final, confie nele.
- Eu confio, mas tá se tornando cada vez mais difícil ficar longe dele – ela choramingou deitando no meu colo – e agora, ele ainda sumiu da internet.
- Bele, já pensou que isso também está sendo difícil pra  ele? Já pensou que ele tenha se afastado pra tentar tornar isso mais  fácil pra vocês dois?
- Olha, se essa era a ideia dele, pode entrar como mais uma da lista de ideias idiotas que ele teve esses anos todos – ela respondeu rindo, isso me pegou de surpresa e eu fiquei com cara de  “hã?” e depois ri junto.
Era verdade, por mais que gostasse do meu futuro cunhado, ele vivia tendo ideias bestas. Resolvi aproveitar o bom humor dela para dar um pequena mudada no assunto.
- Annabele, você percebeu os olhares do Mark pra Jullie e vice-versa essa última semana?
- Eu pensei que fosse coisa da minha cabeça!! – ela exclamou já se sentando novamente, mas dessa vez, virada pra mim.
- Sei lá, tô reparando nisso desde aquele dia lá no pátio – disse rindo.
- Essa história vai dar um rolo... – ela disse rindo também.
- Acha que ele tem chance?
- Não sei, sinceramente, não sei.
Rimos mais um pouco do Mark e levantamos, indo cada uma para seu respectivo quarto.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Missing cap 6

 Bryan


Cheguei tarde em casa, depois de um longo dia no trabalho. Eu me sentia tão exausto, tão esgotado, era como se  todas as minhas forças ainda estivessem naquela cidade, com ela. Cada dia, cada minuto que passava longe dela me deixava mais fraco e fazia com que o desejo de tê-la aumentasse, era como uma droga e eu estava completamente viciado.
Falei rapidamente com meu tio e meu primo que estavam na sala, passei no quarto da minha tia e avisei-a que havia chegado. Ela perguntou se eu estava bem, dei um sorriso torto e balancei a cabeça para os lados. Eu podia mentir para qualquer um, menos para ela. Ela era como uma mãe para mim, me conhecia bom demais para ser enganada, além de não merecer isso.
- Vá tomar um banho, querido, conversamos depois – ela disse com uma voz doce. Dei outro sorriso torto e fui para o meu quarto.
Entrei e fechei a porta, coloquei minha pasta na cama. Comecei a abrir lentamente os botões da minha camisa, deixando meu peito à mostra, eu devia ser a única pessoa que conseguia morar numa cidade praiana e mesmo assim continuar extremamente branco. Dei uma risada, esse era geralmente o tipo de coisa que Annabele me dizia toda vez que conversavamos por video. Segui para o banheiro, entrei no box e deixei que a água morna do chuveiro caísse sobre o meu corpo nu. Fiquei um bom tempo lá parado, sentindo o calor da água fazer meu corpo relaxar até que finalmente desliguei o chuveiro e sai enrolado na toalha. Me troquei e voltei para o quarto. Liguei o computador e lá estava a foto dela, da minha droga, toquei levemente a tela do computador, desejando poder tocá-la de verdade naquele momento, inconsientemente, parei meus dedos em sua boca...
- Bryan? Posso entrar? – minha tia perguntou baixinho parada na soleira da porta.
- Claro, tia – respondi girando a cadeira na direção da porta.
Ela entrou e se sentou na cama, fazendo sinal para que me senta-se junto dela.
- O que há de errado com você, Bryan? Vive com um olhar triste, perdido, como se faltasse algo... – ela disse, logo depois que me sentei e continuou – quando estamos na rua, olha para todas as meninas como se procurasse algo, ou melhor, alguém nelas. É  por causa da Annabele?
Não consegui responder, as lágrimas começaram a escorrer sem controle pela minha face, me senti como uma criança assustada que acaba de acordar de um pesadelo, a única diferença era que pra mim o pesadelo era justamente a realidade. Ela me abraçou suavemente e me deitou em seu colo, nesse instante lembrei das tardes na varanda da Annabele quando ela fazia exatamente igual ao ver que estava triste, isso vez com que mais lágrimas saíssem dos meus olhos.
- Eu sinto tanta falta dela, tia – comecei a responder entre soluços – parece que falta uma parte de mim e doí tanto, parece que estou morrendo.
- Cada dia me sinto mais fraco, sinto falta do sorriso dela, do jeito de falar, de me abraçar – continuei falando enquanto ela acariciava meus cabelos negros.
- Tudo vai ficar bem, meu querido – ela sussurou docemente – mas você precisa ser forte, por você e por ela.
- Eu tento, mas é tão difícil não tê-la aqui, não poder abraçá-la, protege-la – as lágrimas continuavam a molhar o meu rosto branco – eu posso procurar, posso ficar com tantas meninas quanto possível, mas nenhuma consegue suprir essa falta, porque, no fim do dia, quando eu tô sozinho nesse quarto, é nela que eu penso, é ela que eu desejo que estivesse nessa cama comigo, nos meus braços.
Ficamos mais um bom tempo ali, ela passando as mãos pelos meus cabelos e as lágrimas aos poucos foram secando. Meu primo bateu na porta, avisando que o jantar estava pronto. Levantei e fiquei novamente sentado na cama, minha tia se levantou, encostou levemente os lábios em minha testa e me mandou ir lavar o rosto, virou e seguiu para a cozinha, meu primo seguiu-a. Permaneci mais alguns minutos sentado, pensando em Annabele e então finalmente reuni forças para levantar.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Missing cap 5

 Annabele


- Como você é abusado, hein, seu Mark?! – disse, tentando parecer zangada, o que, com ele, era impossível.
- Que?! Eu não fiz nada... – deu uma pausa me olhando realmente confuso antes de completar a frase - ... dessa vez...
- Você é um lesado mesmo! – falei rindo.
- Dá pra alguém me explicar o que tá acontecendo?!?!
- Essa xuxinha é minha, Mark.
- Ah, fala sério!! Deixa de ser criança!! Tá parecendo a Grazielle!
Era tão bom, e fácil, irritar o meu irmão. Ver suas bochechas brancas ficarem cada vez mais vermelhas, seus olhos castanhos com aquele brilho estranho, aquele poder.
- Ela tá só querendo te irritar, de novo! E conseguiu... – Jullie disse entre uma risada e outra, enquanto eu não conseguia parar de rir. A verdade é que ela também adorava vê-lo irritado daquele jeito.
- Você é uma peste, Annabele! – ele disse, sorrindo novamente.
- Eu tenho que arrumar alegria de alguma forma – sorri para ele. Levantei e passei os braços ao redor de seu pescoço, ele, por sua vez, passou as mãos pela minha cintura e me abraçou extremamente forte. De repente, meus pés deixaram o chão e ele me girou.
- Eu te amo, maninha – ele disse quando me colocou no chão.
- Também te amo – respondi dando-lhe um beijo no rosto.
- Nossa, quanto amor fraterno, hein?! – minha irmã mais velha, Grazielle, disse parada do nosso lado e irônica como sempre.
Não tinha notado sua presença, por mais que isso parecesse impossível. Sua beleza atraia olhares de  todos, independente do sexo. Era alta e magra, sua pele era branca como marfim e suave como rosas. Seu rosto era perfeito, nariz fino, lábios levemente rosados, olhos verdes grandes e com um brilho que os meus já  haviam perdido a muito tempo. Seus cabelos eram ainda mais claros que os de Mark e encaracolados, formavam uma moldura linda para aquele rosto tão perfeito.
- Tem um pouquinho pra você também, maninha – Mark disse abraçando-a. Ela, como era de se esperar, afastou-o com as mãos, rindo. Ela com certeza não tinha ouvido a menção de Mark ao seu comportamento egoísta e infantil de sempre.

sábado, 20 de novembro de 2010

Missing cap 4

MARK


Desci da sala e vi minha irmã sentada em um dos bancos. Seu corpo estava virado para alguém, mas ela nao parecia olhar para este alguém. Seus olhos estavam tristes, embora seus lábios formassem um sorriso fraco e doce. Eu conhecia muito bem aquela expressão, ela estava falando dele, Bryan.
Annabele sofria muito por ele. Nesses quase dois anos desde que passaram de quase irmãos para um casal apaixonado, perdi a conta de quantas vezes, ao passar pelo quarto dela durante a madrugada, ouvi seu pranto manso. Entrava e tentava consolá-la de alguma forma, ela se recusava a ouvir qualquer palavra, apenas deitava em meu colo e continuava a chorar enquanto eu acarriciava seus cabelos negros até que ela pegava no sono novamente. Eu sabia que não era eu que ela desejava ali, era ele.
Eu também sofria muito por vê-la assim. Não aguentava ver minha irmãzinha, um ano mais nova que eu, sofre tanto e não poder fazer nada. Eu queira, pelo menos, poder odiar o Bryan, dizer que a culpa era exclusivamente dela, mas, por mais que não gostasse muito dele, sabia que seria injusto. Ele também sofria, e muito. Sofria pela falta dela e se sentia culpado por ela sofrer tanto. Os únicos culpados eram as pessoas que deviam querer mais a felicidade de Annabele: nossos pais.
Eu ficava assustado por eles não verem sofrimento que causavam à filha. Será que só eu ouvia o seu choro? Será que só eu e Grazielle viamos seus olhos sem expressão e como eles mudavam nas raras vezes que ele estava por perto? E, só nós dois viamos o brilho de seus olhar ao falar dele?
Já tinha me aproximado bastante de minha irmã  enquanto pensava. Agora podia contemplar a figuura ao seu lado, Jullie.
Era magra, mas seus traços eram levemente arredondados. Seus cabelos eram castanho-claro salpicado por fios dourados, eram longos e lisos com uma franja lateral. Seus rosto era redondo e tinha um ar infantil, a não ser pelos olhos bem marcados pelo costumeito lápis de olho preto. Agora, seu sorisso habitual estava escondido por uma linha tensa.
Estava na frente das duas e elas pareciam não me notar, estavam envolvidas demais na história. Cumprimentei-as e minha voz fez com que Anna voltasse a realidade.

sábado, 13 de novembro de 2010

Missing cap 3

Annabele

Descemos as escadas em silêncio e sentamos no primeiro banco que encontramos. Meus irmãos, Grazielle e Mark, ainda estavam em suas respectivas salas.
- Eu queria saber como chegamos até aqui... – deixei escapar, foi apenas um pensamento alto demais, porém Jullie respondeu mesmo assim.
- Se você não sabe... – não chegava a ser um fora, era apenas por reflexo – eu ao menos sei a história toda.
- Você tem certeza que quer saber? – respondi virando meu corpo para ela.
- Ia ajudar, né? Você só fala e pensa nele, não dá pra ajudar sem saber – Jullie podia até ser dois anos mais nova  que eu, mas, às vezes, seus pensamentos eram bem mais diretos.
- Foi você quem pediu – respondi dando um sorriso torto. Voltei no tempo,mais ou menos três anos no passado.
Uma amiga minha chegou na escola falando de um menino que tinha adicionado-a no orkut. Quando saimos da escola, passamos por onde ele trabalhava e ela me mostrou quem era. Não dei a mínima importância para aquele menino extremamente branco, com 17 anos e cabelos escuros espetados com muito gel.
Algum tempo depois, eu e Kelly brigamos por um motivo fútil e eu comecei a reparar que Bryan não parava de olhar quando eu passava. Um dia, o brilhante do primo dele resolveu atrapalhar este “contato”. Para minha surpresa, Bryan desviou dele e continuou a olhar diretamente para meus olhos. O infeliz do primo dele entrou novamente na frente, e nós desviamos simultâneamente, até que o ponto da passarela onde eu estava não permitia que eu o  olhasse. Eu caí na gargalhada e tenho certeza que ele fez o mesmo.
Passamos mais um bom tempo com apenas esse tipo de contato: olhares, sorrisos e um dando língua pro outro. Até que uma outra amiga chegou dizendo que ele estava querendo ficar com ela. Ele pediu a minha ajuda para conquistá-la, eu resolvi ajudar, pois não tinha o menor interesse nele.
Por mais que tentasse, não consegui convencer minha amiga a ficar com ele, mas essa proximidade logo fez com que nos tornassemos melhores amigos, quase irmãos...
- Oi, minhas lindas – a voz do Mark me trouxe de volta ao presente. Seus cabelos castanho-escuro, um pouco mais claros que meus cachos negros com leves ondulações e  cortados na altura do queixo,estavam presos para trás com uma xuxinha que... espera aí, aquela xuxinha era minha...

sábado, 6 de novembro de 2010

Missing cap 2

 Bryan
Eu estava lá, sentado na frente de um computador, na cidade onde sempre quis morar, tudo deveria estar perfeito, mas faltava algo, faltava ela.
Não queria tê-la deixado, eu não queria! Mas foi ela que pediu, quer dizer, ela não pediu para eu ir embora, ela  me pediu para crescer, para pensar em nós, no nosso futuro.
Eu ainda lembrava do dia que disse-lhe que viria pra cá, lembrava da expressão dela.
Seu rosto branco se fechou, ela forçou as lágrimas a não descerem. Tentei beijá-la, mas ela virou o rosto, fazendo com que meus lábios apenas tocassem seus cachos negros. Nunca a tinha visto tão magoada.
Meus olhos se encheram d’água ao lembrar o sofrimento dela.
- Bryan... você está bem? – a voz da minha tia rompeu meus pensamentos antes que a primeira gota escorresse pelo meu rosto.
Eu não consegui falar, havia um nó em minha garganta. Ela se aproximou, escostou minha cabeça em seu corpo e começou a acariciar meus cabelos, exatamente como Annabele costumava fazer, a minha Anna... As lágrimas escorreram pela minha face sem que eu fizesse qualquel coisa para impedí-las.


sábado, 30 de outubro de 2010

Missing... cap-1

 Annabele

   
    Lá estava eu, sentada numa sala de aula, minha melhor amiga na minha frente, mas faltava algo.
      Já faziam cinco meses que ele havia ido embora e mais de um mês desde o nosso ultimo encontro.
      Eu ainda me sentia abandonada, tinha medo que esta distância destruísse tudo. Na verdade, sentia medo de parar de me sentir assim, tinha medo de me acostumar, medo de perder essa dor, por quê? Porque isso significaria que tudo não teria mais sentido para mim, que eu teria deixado esse amor se apagar em mim, que eu não fui forte o bastante.
     Também tinha medo dele desistir, mas, de algum modo, eu confiava nele, no seu amor. Toda vez que ele sorria para mim, eu esquecia toda a dor e, simplesmente, acreditava. Pena que já fazia tanto tempo desde que vi esse sorriso pela última vez.
- Você está bem? – Jullie, de repente, virou para trás e interrompeu meus pensamentos. Ela sorria, seu sorriso infantil de sempre, mas ela estava preocupada.
- Sim... – respondi dando-lhe um sorriso torto.
- Pensando nele de novo?!?
- Como sempre... doí muito...
Virei para a janela e meus pensamentos se perderam por algum tempo.
- Anna, você não vai descer? – Jullie me chamou quando o sinal do intervalo enfim tocou.